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Guilherme Bellintani acende vela para Deus e o diabo – sem escolher quem é quem

A incógnita Guilherme Bellintani tem data para ser solucionada. E depois que o presidente do Esporte Clube Bahia empurrou com a barriga a decisão sobre ser candidato ou não a prefeito de Salvador, pelo menos do lado do governador Rui Costa (PT) não vai mais estender esse prazo. Primeiro, ele tomaria uma decisão até dezembro, depois até o fim do Brasileirão. Passados os dois prazos, o dirigente esportivo segue em conversas com Rui e também com o prefeito ACM Neto (DEM). E até agora permanece como a interrogação para o processo eleitoral da capital baiana.

Para segmentos distintos, Bellintani tem dado sinais trocados. Para conselheiros do Bahia, ele aponta o caminho que deve deixar o clube para tentar o Palácio Thomé de Souza. Para colaboradores do clube, não dá sinais de que estaria se despedindo do cargo para o qual foi eleito em 2017 para um mandato de três anos. Ele está em cima do muro e, a depender do interlocutor e do momento, figura como postulante ou não. As razões para essa indecisão são inúmeras e, até agora, não foram ditas publicamente. É o medo do paradigma do “cavalo selado”, que pode não passar duas vezes.

Ser presidente do Bahia era um sonho explícito de Bellintani. O ex-titular da supersecretaria de Desenvolvimento e Urbanismo da capital baiana deixou o posto para a campanha a presidente do clube. Foi vencedor ao costurar um acordo entre grupos formados por adversários do campo político. A chapa dele era apoiada por figuras ligadas ao DEM e ao PT sem qualquer tipo de constrangimento. O foco era o Esporte Clube Bahia e a aliança foi facilmente explicada. Para prefeito, no entanto, essa negociação seria impossível. É estar entre a cruz e a espada.

Do lado de Rui Costa, há o canto da sereia atraindo Bellintani para ser candidato. Porém sem levar a militância petista ou mesmo o apoio integral dos partidos da base do governador. Figura afável, o dirigente do Bahia poderia ser classificado como uma terceira via sem tantas ressalvas, se não tivesse nascido politicamente no grupo de ACM Neto. Esse debute pode ser uma pedra no sapato para quem quer conquistar o apoio da esquerda, tradicional adversária do carlismo e seus descendentes na Bahia. Por isso há uma escolha de Sofia em questão.

Como outro sonho dele confidenciado aos mais próximos é comandar Salvador, a dúvida passa também por tentar já em 2020 ou adiar por mais quatro anos. Depois de ter sido preterido por Bruno Reis (DEM) na disputa pela vice de ACM Neto em 2016, não deixa de ser uma tentativa de revanche disputar no voto com o futuro candidato do prefeito à sucessão. Bellintani, todavia, nunca foi testado nas urnas. E, do jeito que anda o comportamento dos eleitores no Brasil, é complicado demais prever os resultados. Tem uma expressão popular que resumiria bem a situação atual dele frente à decisão de ser candidato. A questão é saber se ele quer sair de cima... do muro.

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (27) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.