De acordo com moradores da região, no inÃcio desta manhã, o Corpo de Bombeiros resgatou dos escombros os corpos de uma menina de quatro anos, do irmão dela de oito anos, e de um tio. Todos dormiam em um dos quartos que foi coberto pela lama. Até o momento, não há identificação das vÃtimas. Os pais e um dos irmãos das crianças mortas sobreviveram à tragédia e estão sob cuidados médicos.
"No total, tivemos quatro casas soterradas, incluindo o imóvel da tragédia. As outras pessoas deixaram seus imóveis assim que a chuva começou pois estavam em áreas de risco. As consequências aqui foram muito grandes. Para se ter uma ideia, todos os bairros foram afetados de alguma forma. Possa ser que tenhamos mais casos pois ainda estamos fazendo um levantamento dos estragos", declarou coordenador da Defesa Civil VinÃcius Borges.
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| Ruas da cidade ficaram alagadas (Foto: Marcos Cunha / Itamaraju NotÃcias) |
Por conta da forte chuva, vários pontos de Itamaraju ficaram alagados. Devido ao volume de água, as três únicas saÃdas de Itamaraju estão bloqueadas. De acordo com a Prefeitura, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas e Desastre Naturais (Cemaden) emitiu um alerta de nÃvel alto.
"A probabilidade de ocorrência de desastres é alta, assim como o seu impacto potencial para a população", diz trecho. O órgão aponta ainda que deslizamentos são eminentes e estima-se que 2.152 pessoas em 538 moradias estejam expostas ao risco alertado.
Na Bahia, cinco pessoas já morreram desde a chegada do fenômeno "La Nina", responsável por trazer chuvas acima da média para todo o Nordeste. Outras duas pessoas morreram em Itaberaba em enxurrada. Em Salvador, um homem ainda está desaparecido após pular em canal para salvar um cachorro no Rio Vermelho.
"A casa ficava numa região de barrancos. Com a força da água, a terra deslizou sobre o imóvel onde todos estavam. A terra caiu com mais intensidade no quarto onde estavam as duas crianças e o tio. O pai e a mãe foram arremessados para fora com o impacto da terra sobre a cama. Já o outro filho do casal só escapou porque dormia no sofá", contou Marcos Cunha, morador da cidade.
Marcos mora no centro da cidade e está ilhado em casa. Segundo ele, a chuva elevou o nÃvel dos rios que cortam Itamaraju, formando vários pontos de alagamentos com mais de um metro de profundidade, inclusive impedido o acesso dos moradores a outras cidades. "Ninguém sai, ninguém entra. Estamos todos isolados", contou.
Uma das saÃdas bloqueadas é a chamada Cidade Baixa, que dá acesso ao único hospital da cidade. O outro ponto é o trecho da BR-101 com destino a Itabela e Eunápolis, onde toda a rodovia foi coberta pela água. Em outro trecho da mesma rodovia, desta vez no perÃmetro urbano, uma cratera se abriu impedido o fluxo de veÃculos.
Ainda de acordo com o morador, famÃlias estão desalojadas depois que tiveram suas casas invadidas pela enxurrada. "Teve gente que foi para casa de parentes, mas quem não teve outro lugar pra ir, está sendo cadastrado pela prefeitura para ser levado para um abrigo que está sendo improvisado em um ginásio", contou Marcos.
O CORREIO vem tentando falar com o prefeito da cidade, Marcelo Angenica (PSDB), mas sem sucesso. Itamaraju tem 64.423 habitantes, segundo o IBGE de 2021, e tem como municÃpios limÃtrofes Jucuruçu, Vereda, Prado, Perto Seguro, Guaratinga e Itabela.
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| Foto: Leitor CORREIO |
O órgão comentou a situação de risco da cidade. "As áreas de risco de movimento de massa no municÃpio caracterizam-se pela ocupação de encostas de alta declividade, com taludes de cortes e aterro, trincas e degraus de abatimento e históricos de deslizamento. Moradias de alta vulnerabilidade, lançamento de água servidas, lixo lançado nas encostas e ausência de drenagem superficial potencializam a ocorrência de movimento de massa. Está situação associada à precipitação incidente (ou acumulada) e a precisão meteorológica indica que pode ocorrer um número significativo de deslizamentos induzidos e esparsos em encostas naturais", diz comunicado.
Diante da alerta, o Cemanden fez recomendações à população de Itamaraju. "Atenção às áreas de risco mapeadas".
A cerca de 100 quilômetros de Teixeira de Freitas, a cidade de Jucuruçu casas ficaram debaixo d'água - isso porque a região fica abaixo do nÃvel dos montes. "O rio transbordou e a água desceu para toda a cidade", contou EurÃpedes, que tem amigos no local. VÃdeos mostram a aflição dos moradores.
No Brasil, o La Niña provoca estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e principalmente Sul. No Nordeste e na Região Amazônica aumenta a intensidade das chuvas.
Mas além do fenômeno, um agravante que piora as chuvas é o cavado, sistema de baixa pressão que mexe com a circulação do vento. Ele faz com que aumente a formação de nuvens, trazendo descargas elétricas e trovoadas.
Além disso, as temperaturas do oceano, próximo à costa do Nordeste influencia as chuvas. A termodinâmica local está associada às altas temperaturas das águas. Isso explica o mormaço que tomou conta da cidade na última semana.
Por isso, de acordo com o meteorologista da Codesal, Giuliano Carlos Nascimento, a previsão da semana é pancada de chuvas fracas, principalmente durante a sexta-feira. "Tendemos a permanecer com as temperaturas elevadas para os próximos dias", pontua.
Os locais em que foram registrados os maiores Ãndice pluviométricos na capital ao longo do mês: Pituba - Parque da Cidade (331,2 mm), Campinas de Brotas (306,4 mm), Ondina (304 mm), Stiep (298,7 mm), Saramandaia (295 mm) e Pituaçu (285,4 mm).
Amélia Rodrigues;
Ibicoara;
Itaberaba;
Mucugê;
MutuÃpe;
Teolândia;
Jaguaquara;
Ruy Barbosa;
Maragogipe;
Itaquara.
Eunápolis;
Itacaré;
Itarantim;
Mundo Novo;
Baixa Grande;
MarcionÃlio de Souza.
Jiquiriçá;
Itambé.
Ribeira do Pombal;
Jaguaquara;
Camacan
Neste fim de semana, as cidades que mais registraram volume de chuva entre à s 09h01 de sexta (03) até as 09h de segunda (06), de acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos HÃdricos (Inema) são:
São Desidério (115,2 mm)
Jaguaquara (113,0 mm)
Camacan (110,1 mm)
Lençóis (104,4 mm)
Vitória da Conquista (105,3 mm)
Caravelas (101,3 mm)
Correio


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