O presidente da República, Michel Temer, negou nesta quarta-feira (31) que o impeachment de Dilma Rousseff tenha sido um golpe. Na primeira reunião ministerial do seu governo desde o afastamento, ele disse ainda que não vai aceitar divisão da sua base no Congresso Nacional. Com tom de voz alto, Temer pediu aos ministros que reajam às acusações de que sua gestão é "golpista".
"Golpista é você, que está contra a Constituição", disse, em referência aos opositores do impeachment. "Não vamos levar desaforo para casa (...) Não podemos deixar uma palavra sem resposta", afirmou.
Temer disse que enquanto interino não respondeu às acusações, mantendo-se no que chamou de "discrição absoluta", mas agora não pretende encarar ofensas. "As coisas se definiram, e é preciso muita firmeza", finalizou.
A reunião durou cerca de 40 minutos, após a posse em solenidade no plenário do Senado.
ViagemNa noite desta quarta, Temer embarcou para a China, onde participa do encontro do G-20 e de outras reuniões bilaterais. Estão no avião presidencial os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e das Relações Exteriores, José Serra, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, além de alguns parlamentares. O avião presidencial - um Airbus A319 - possui uma suíte para Temer, além de uma espécie de ala vip, com cadeiras e mesas de escritório para reuniões.
A primeira-dama, Marcela Temer, não acompanha o marido em sua primeira viagem como presidente efetivado. Há pouco, durante reunião ministerial, Temer afirmou que não estava viajando para a China “a passeio” e que a comitiva brasileira quer mostrar ao mundo que é um governo legítimo. “A partir de hoje divulguem que nós estamos viajando exata e precisamente para revelar aos olhos do mundo que temos estabilidade política e segurança jurídica”, disse.
Temer disse ainda que o principal objetivo da viagem é atrair recursos para o Brasil. A viagem tem previsão de três paradas: na Ilha do Sal, Cabo Verde; em Praga, capital da República Tcheca; e em Astana, capital do Cazaquistão. O tempo de viagem estimado é em torno de 28 horas.
Temer deve chegar no dia 2 de setembro, a tempo de participar de um seminário de empresários em Xangai. Há ainda diversos encontros bilaterais pré-agendados. Para o dia 3 de setembro, por exemplo, já estão previstos encontros com os primeiros ministros da Espanha e Itália, com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Há também a previsão de uma conversa com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. A agenda principal na China, o encontro dos líderes do G-20 em Hangzhou, está marcada para os dias 4 e 5 de setembro. (Correio)

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