"A mãe dele está sentindo o que toda a família está sentindo: muita dor", diz o pai de Filipe dos Santos Portela, 20 anos, um dos quatro mortos pela Polícia Militar, durante confronto na manhã de quarta-feira (28), em Castelo Branco.
Segundo o pai do jovem, que preferiu não se identificar, o filho era uma pessoa tranquila e trabalhava com carteira assinada no açougue Fricarne, no Dois de Julho. Ele foi contratado como ajudante de carga de descarga em maio e recebia um salário mínimo por mês.
O proprietário da Fricarne, Israel Pimentel, disse ao CORREIO que todos na empresa estão chocados e não acreditam no envolvimento de Filipe com atos ilícitos. "Talvez ele estivesse na hora errada, no lugar errado e com pessoas erradas", lamentou ele, que acompanhava pessoalmente o trabalho do jovem.
Ainda de acordo com Israel, Filipe trabalhava com ele há mais de um ano, em uma outra empresa da família, e nunca cometeu qualquer ato que indicasse desonestidade. "Foi mais de um ano com a gente, não acredito que seja um menino envolvido com essas coisas", pontuou.
Há 10 dias o auxiliar de carga e descarga foi demitido por algumas faltas não justificadas. "Recebi as últimas mensagens dele nos dias 26 e 27 (de setembro), dizendo que estava vindo. Mas não veio, nem recebeu a rescisão", afirmou Pimentel, acrescentando que já entrou em contato para que a família possa fazer a retirada do dinheiro.
Sobre as circunstâncias da morte, o pai disse não saber de nada ainda. "Não ouvi nenhuma versão ainda do que pode ter acontecido, meu filho trabalhava. Quando me separei, ele tinha 3 anos e foi morar comigo. Saiu de casa recentemente, depois que arranjou esse emprego", contou.
Muito abalado, o pai chorava compulsivamente, enquanto aguardava a liberação do corpo do filho, no Departamento de Polícia Técnica (DPT). "É triste para um pai, numa situação dessa, ter que liberar o corpo de um filho", lamentou. Questionado sobre os outros três mortos, o pai de Filipe disse não conhecer e nem saber até ponto eles eram amigos.
"Era um rapaz tranquilo, a família não tem o que falar dele. Nunca nos deu nenhum tipo de problema. Nunca precisei ir a delegacia resolver problema dele, então é um baque", disse o pai, que estava no DPT acompanhado de uma irmã e mais dois sobrinhos. Ele será enterrado nesta sexta-feira (30), no Cemitério Municipal de Brotas.
Familiares de outra vítima do confronto, de prenome Renato, também estão no DPT aguardando a liberação do corpo. O CORREIO tentou falar com o pai dele, mas ele se limitou a dizer: "Por favor, respeite a minha dor, só quero enterrar o meu filho".(Correio)

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