Agora eles estão em feiras livres, mercados públicos e camelódromos reconstruídos e revitalizados. Todos foram retirados de calçadas, praças e largos. Alguns foram levados para os dez boxes do Dois de Julho, aberto sexta-feira passada, quando os permissionários receberam as chaves dos estabelecimentos. Elias Santos Filho, 40, instalou o seu balcão frigorífico para botar na “vitrine” os frutos mar.
“Vai ser muito melhor do que na rua. Nossa clientela vai adorar. Até a variedade vai ser maior. Vou ter marisco, peixe, camarão, lagosta e polvo”, anuncia. Cirlene Almeida, 48, promete tudo para dar gosto à comida baiana. “Castanha, leite de coco, amendoim, tempero verde e, claro, azeite de dendê”.
Em um dos três boxes de produtos da fazenda, Lídio Bittencourt, 68, manda avisar. “Bote aí que minha farinha é de Santo Antônio de Jesus”. Pra que melhor?
O novo Mercado Dois de Julho, construído para receber o comércio informal que se espalhava pelo bairro, ainda tem a área externa, que abriga 60 feirantes. O coordenador de feiras e mercados da prefeitura, Denes Oliveira, diz que a partir de agora as pessoas vão redescobrir o Dois de Julho.
Tanto os permissionários de dentro do mercado quanto os feirantes foram remanejados das calçadas de ruas como a do Cabeça, da Forca e Carlos Gomes. Os moradores estão empolgados. “O Dois de Julho precisava de atenção. Esse mercado ficou uma beleza”, disse José Carlos Pires, 55.
Donos de armarinhos e lojas nas ruas do Cabeça e da Forca, além de proprietários de restaurantes tradicionais, também enxergam mudanças. “Pessoas de outros bairros estão aparecendo mais. Moradores que não circulavam nas ruas voltaram”, observa Marli Brito, 57, dona do Restaurante São Vicente, há 31 anos instalado no bairro.
Após obras, Feira do Japão, na Liberdade, não perdeu características (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
|
ImprovisaçãoNão muito longe dali, no Mercado Popular da Água Brusca, em frente à Feira de São Joaquim, os 47 permissionários vivem na improvisação há nove meses. Vendedores de frutos do mar foram relocados para debaixo do viaduto ao lado do mercado, enquanto a estrutura é reformada. O espaço está recebendo nova câmera frigorífica, banheiros, piso e pias, além de reforma elétrica e hidráulica. O local onde hoje estão instaladas as bancas improvisadas vai abrigar um estacionamento.
“Temos esperança que melhore muito a nossa vida e principalmente a de nossos clientes. Quem compra quer conforto, quer estacionar o carro com segurança”, diz Conceição Correia, uma das comerciantes do Mercado Popular. Em breve, diz a prefeitura, será iniciada a construção do Mercado de São Cristóvão. Com R$ 5,5 milhões de investimento, ocupará uma área de 1,6 mil metros quadrados.
E ainda tem os reparos que estão sendo feitos no tradicional Mercado Modelo, que, além de reforma hidráulica e elétrica, ganha luminárias em Led. Outras tantas feiras já funcionam a pleno vapor: Cajazeiras, Castelo Branco, Cosme de Farias e Liberdade. Os mercados de Itapuã e do Peixe, no Rio Vermelho, também foram reformados.
Em Cosme de Farias, a Feira Livre agora tem cobertura. “Ninguém fica mais no relento e as bancas estão padronizadas”, afirma João Batista de Souza, 73, que diz vender a melhor farinha da Bahia. Vai dizer isso a seu Lídio do 2 de Julho, seu João.
Para garantir a conscientização dos feirantes e comerciantes quanto a melhor forma de tocar o negócio, a prefeitura contou com o Sebrae. “Trabalhamos conceitos de gestão e empreendedorismo, fortalecendo as associações e uma melhor percepção do mercado”, diz Adhvan Furtado, superintendente do Sebrae na Bahia. Segundo a prefeitura, o atual programa de requalificação do comércio informal é o maior realizado nos últimos 40 anos.
O programa busca a construção de novos mercados, reforma dos antigos e construção de camelódromos e feiras livres. “O maior desafio é agradar a todos. O feirante quer botar a banca onde passa gente, o lojista quer que o ambulante saia da frente, o pedestre quer o passeio livre. O legítimo dono do passeio é o pedestre. Isso é ponto pacífico”, diz a secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf .
Outro desafio é manter as características culturais do espaço. Algumas feiras livres de bairros são tradicionais. “Não acabamos com a Feira do Japão, na Liberdade, por exemplo. Mas os que vendem peixes e vísceras, esses vão para dentro do mercado”.(Correio)

0 Comentários