A cantora Ivete Sangalo foi o grande tema do desfile da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, na madrugada desta segunda-feira (27) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ao invés de fazer uma aparição rápida, a cantora seguiu todo o desfile, da comissão de frente até o último carro. Para isso isso, a cantora precisou correr pela Sapucaí e trocar três vezes de figurino.
O samba enredo da escola foi "Ivete do rio ao Rio", para contar a história da baiana. Foi no último carro que ela apareceu ao lado do filho, Marcelo, e do marido, Daniel Cady.
Inicialmente, na comissão de frete, Ivete representou a menina de Juazeiro usando um vestido branco de mangas bufantes. Logo depois, o look foi substituído por um body brilhante e colorido pelas fitinhas do Bonfim. Segundo o Ego, o objetivo da escola era representar a mudança da Ivete camponesa para a grande estrela da música. No último carro, a baiana usou um vestido branco longo.
Foto: Reprodução/Instagram
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"Gratidão. Obrigada meu Deus por tanto amor. Obrigada a minha linda Bahia que me fez nascer as margens do Rio São Francisco e ter nas veias um sangue nordestino vivo e pulsante. Obrigada a minha comissão de frente tão acolhedora e talentosa. Obrigada a minha Grande Rio! Minha família sempre a minha inspiração ! Viva tudo! @primotinha @rodrigonegri ,muito obrigada pela confiança ! Vcs são lindos", escreveu Ivete em seu Instagram na madrugada de hoje.
Correria
Depois do desfile e das entrevistas, a juazeirense subiu ao palco ao lado de Latino para cantar. Mas a corrida para a cantora não para. Hoje Ivete sai, em Salvador, com o bloco Fecundança - Coruja às 16h45, no Circuito Dodô.
Primeira noite de desfiles no Rio
A noite começou com um acidente grave e raro com um carro alegórico do Paraíso do Tuiuti, que imprensou contra a grade do setor 1 pessoas que estavam na pista, deixando 20 feridas, uma delas com risco de amputação de uma das pernas, e terminou com a bela apresentação da Beija-Flor, com sua visão poética do romance entre a índia Iracema e o português Martim Soares.
A Grande Rio homenageou a cantora Ivete Sangalo, que conquistou o público em suas duas aparições: ela saiu com bailarinos já na comissão de frente, que representava de sua infância, na cidade Juazeiro, à glória, como uma das cantoras mais populares do País, e também no último carro alegórico, um símbolo do encontro dela com a Grande Rio.
“Foi muita emoção, uma oportunidade única”, disse Ivete, depois do desfile. “Fui cercada de amor desde o momento em que fui convidada para fazer parte desta escola, e quis sair na comissão para me envolver. A gente ensaiou com muito amor.”
Ivete “levantou poeira” no sambódromo, mas a Grande Rio ficou para trás quando surgiram a Imperatriz, o Salgueiro e a Beija-Flor.
A Imperatriz levou o enredo “Xingu, o clamor da festa”, de exaltação à cultura indígena e clamor pela preservação da natureza, e mostrou que era infundado o temor que o setor do agronegócio demonstrou no pré-carnaval - entidades do estado do Mato Grosso se manifestaram contra a escola, alegando que o enredo traria informações que “manchariam a imagem” desta atividade econômica. Na sequência, desfilou a Vila Isabel, com o enredo “O Som da Cor”.
A Azul e Branca cantou a influência dos negros na música das Américas. O belo samba contagiou as arquibancadas, mas a escola pecou em fantasias e alegorias - o acabamento ruim era visível no último carro, em que Martinho da Vila veio de rei. A apoteose viria com os dois últimos desfiles, o do Salgueiro e o da Beija-Flor.
A Vermelha e Branca fez uma apresentação memorável, apoiada no samba, um dos melhores do ano, e na força de seu enredo. “A divina comédia do carnaval” foi baseado na obra de Dante Alighieri e, como prometido em seu hino, tingiu a avenida de vermelho e branco.
As cores salgueirenses simbolizavam o inferno, cheio de seres endiabrados e tomados pela luxúria, e o céu, de flores e divindades africanas. Três carnavalescos que integram o olimpo do carnaval carioca, Arlindo Rodrigues, Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta, foram representados no último carro, “O orum de todos os deuses”.
A plateia da Sapucaí, independentemente da bandeira de preferência, fez ecoar o verso-chave, “essa paixão que encanta o mundo inteiro / só entende quem é Salgueiro”.
A Beija-Flor se esmerou nas fantasias e carros alegóricos, como de costume, e o samba foi cantado em bom som pelos componentes. Os carnavalescos, por conta da crise econômica e do enredo indígena, usaram materiais menos luxuosos do que de costume, como a palha, a cestaria e a madeira, com bom gosto e cuidado nos detalhes - caso das perucas negras usadas por quase todos os componentes fantasiados de índios e das peças de artesanato com referência ao Ceará, a terra de José de Alencar e de sua Iracema.
A novidade das alas com fantasias diferentes para os desfilantes, como se fossem tribos, teve efeito visual interessante. O senão foi a repetição de índios e mais índios e animais da floresta. Para quem já havia visto os da Imperatriz e resistia ao cansaço e ao dia claro, ficou repetitivo.

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