A tatuadora Gabriela Droguett pode ter sido infectada pela Covid-19 e transmitido para pacientes do Hospital Aliança. Segundo ela, apesar de ter sintomas típicos da doença, não foram feitos testes e ela não ficou em isolamento.
Gabriela relatou que agora já está recuperada, porém no dia 12 de março começou a sentir febre, muita tosse, dor no corpo e de cabeça. Indo então para o Hospital Aliança, ela foi atendida por uma médica, mas não foi feito nenhum exame de sangue nem de imagem. A médica então teria diagnosticado Gabriela com uma variação de Influenza (H1n1), passando medicamentos para lidar com os sintomas, entre eles o Tamiflu, que é um anti-viral dado pelo governo para tratamento de H1N1.
"O diagnóstico que recebi na primeira vez que fui no hospital foi que estava com uma variação de influenza e não se sabe, pois não fui testada e saí de lá com o remédio para H1N1, o Tamiflu", disse ao Bahia Notícias.
Gabriela comentou com a médica que tinha viajado para Vitória, no Espirito Santo, no dia 5 de março, e retornado quatro dias depois. A médica então disse que, "como não tinha sido uma viagem para o exterior eu não me enquadrava no perfil de contágio do novo coronavírus”.
Já no dia 16, ela se sentiu muito mal novamente, sentindo dores fortes no corpo, apesar de estar tomando os remédios. Ao retornar ao Aliança, uma outra médica a atendeu. A equipe “auscultou” a região do peito, fazendo sua admissão e indicou exames para serem feitos.
"Quando saiu o resultado do meu exame [angiotomografia], que tinha alguma coisa no meu pulmão direito, eles tiveram a suspeita de embolia pulmonar. Me internaram e me deram anticoagulante além dos outros. Marcaram exames para descartar trombose. Mas não cogitaram nada da Covid-19 e nem da H1N1. Quando me colocaram no quarto eu que fui perguntar sobre o medicamento que tinham me passado da primeira vez que tinha ido. Eles falaram para continuar", explicou Gabriela.
A tatuadora ainda conta que após ser liberada pela primeira vez do hospital, foi até o aniversário de sua filha, mas mesmo sem indicação do uso de máscara ela preferiu utilizar o equipamento de proteção. Agora, a tatuadora espera o resultado do teste que fez por conta própria para saber se tem os anticorpos para a Covid-19, o que indicaria que ela teve realmente a doença. “A situação que estamos passando é bem mais complexa do que parece. Os números oficiais não são o suficiente para mapear a realidade atual. Cuidem-se, cuidem dos seus. E fiquem em casa”, disse em sua conta no Instagram.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, o Hospital Aliança informou que pacientes com síndrome gripal atendidos nas unidades de Emergência são avaliados de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. “Portanto, a coleta de exame de 13 a 18/3, época da procura à nossa Emergência e internação da paciente, só era indicada para casos de viagem a locais de transmissão comunitária do COVID-19”.
A unidade de saúde diz ainda que, na ausência de gravidade e sem comorbidades, os pacientes são liberados , algumas vezes, com antiviral específico para influenza se assim justificado. “Exames específicos só são recomendados para pacientes internados com síndrome respiratória aguda. Somente a partir de 20/3 o Brasil passou a ser considerado área de transmissão comunitária”, conclui o hospital.
