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STJ aceita denĂșncia de lavagem de dinheiro contra desembargadores do TJ-BA

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quarta-feira (6) tornar rĂ©us quatro desembargadores e trĂȘs juĂ­zes do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e mais oito pessoas supostamente envolvidas em um esquema de compra e venda de decisĂ”es judiciais pela chamada Operação Faroeste, deflagrada em 2019. Segundo os relatĂłrios da operação, as sentenças eram relacionadas a disputadas de terras na regiĂŁo oeste da Bahia.
A decisĂŁo, por unanimidade, foi tomada na primeira sessĂŁo de julgamento por videoconferĂȘncia da Corte. De acordo com o G1, os ministros se reuniram virtualmente em razĂŁo da pandemia da covid-19.
O ministro Og Fernandes, relator do caso, afirmou no voto que hĂĄ “justa causa” para o recebimento da denĂșncia. Entre os crimes apurados, estĂŁo organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Com a decisĂŁo, quatro desembargadores passam a responder a processos criminais: Gesilvaldo Britto, Maria do Socorro Barreto Santiago (ambos, ex-presidentes do TJ-BA), JosĂ© OlegĂĄrio Monção e Maria da Graça OsĂłrio.
Ainda segundo o G1, tambĂ©m foram tornados rĂ©us trĂȘs juĂ­zes de direito: Marivalda Moutinho, Marcio Reinaldo Miranda Braga e SĂ©rgio Humberto Sampaio.
Foram incluĂ­dos em açÔes criminais, ainda: AntĂŽnio Roque do Nascimento Neves, JĂșlio CĂ©sar Cavalcanti Ferreira, Karla Janayna Leal Vieira, Adailton Maturino dos Santos, MĂĄrcio Duarte Miranda, Geciane Souza Maturino dos Santos, JosĂ© Valter Dias e JoĂ­lson Gonçalves Dias.
Esquema
O MinistĂ©rio PĂșblico afirma que o esquema envolvendo magistrados, servidores e advogados pretendia legitimar cerca de 800 hectares de terras no oeste baiano com decisĂ”es judiciais vendidas. a articulação transformou um borracheiro em um dos maiores latifundiĂĄrios do estado.

Segundo o relator, anĂĄlise de movimentaçÔes bancĂĄrias indica que a desembargadora Maria da Graça OsĂłrio recebeu mais de R$ 6,7 milhĂ”es no perĂ­odo investigado, "volume de ganhos incompatĂ­vel integralmente com vencimentos recebidos como servidora pĂșblica". “O que se encontrou mostra luxo", diz. 
O G1 informou ainda que o relator confirmou que 102 obras de arte foram encontradas com outra desembargadora investigada, Maria do Socorro Barreto Santiago. Elas teriam sido adquiridas em leilĂ”es e estocadas no chĂŁo de uma casa, descoberta durante as diligĂȘncias. As obras tinham "recibo emitido em nome da empregada domĂ©stica”, segundo o relatĂłrio.
DenĂșncia
Mais de 200 policiais federais participaram da Operação Faroeste. Os agentes cumpriram 40 mandados de busca e apreensão em Salvador, Barreiras, Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cåssia, na Bahia, e em Brasília.

Segundo a investigação, de 2013 a 2019, sucessivas decisÔes judiciais favoreceram o borracheiro José Valter Dias, que se tornou o dono de uma fazenda de 360 mil hectares, cinco vezes a årea de Salvador.
A suposta grilagem foi alvo de apuração no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O processo de disputa de terras corre desde 1985. Atualmente, na ĂĄrea, vivem cerca de 300 famĂ­lias de pequenos, mĂ©dios e grandes agricultores, que produzem um milhĂŁo de toneladas de grĂŁos por ano, alĂ©m de trĂȘs multinacionais. A Justiça concedeu e ampliou a ĂĄrea das terras, alĂ©m de determinar multas milionĂĄrias contra produtores que ficassem nas propriedades.
Ainda segundo o G1, o caso teria a participação da empresa JJF Holding, com capital de R$ 581 milhĂ”es, na qual JosĂ© Valter Dias tem 5% do capital.
Segundo as investigaçÔes, o principal suspeito de montar o esquema Ă© Adailton Maturino dos Santos, que se apresenta como juiz aposentado e atĂ© como cĂŽnsul da GuinĂ©-Bissau. De 2013 a 2019, Maturino teria movimentado R$ 33 milhĂ”es, dos quais nĂŁo comprova a origem de R$ 14 milhĂ”es.
As investigaçÔes indicaram que Adailton e a mulher dele, Geciane, comandavam o esquema de corrupção. Geciane é uma das sócias de José Dias e do filho dele, Joílson Gonçalves Dias, na JJF Holding, empresa criada para administrar as terras.
A desembargadora Maria da Graça OsĂłrio teria dado liminar para favorecer a empresa por R$ 1,8 milhĂŁo. Um homem que revelou a operação, diz o processo, foi executado Ă  luz do dia em 2014. Quatro anos depois, o homem acusado da morte, o guarda municipal Otieres Batista Alves, tambĂ©m foi morto, segundo procuradores, como queima de arquivo.  Correio