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SAJ: Dificuldade de encontrar morador, salário baixo e ofensas fazem pesquisadores do Censo do IBGE desistirem de trabalho

 


Dificuldade de encontrar morador, acesso restrito à condomínios e prédios residenciais, ofensas, ameaças e salário baixo tem feito com que pesquisadores do IBGE desistam do Censo em Santo Antônio de Jesus.

Agentes que estão trabalhando no Censo relataram dificuldade para coletar informações  no município. Conforme Neilton Andrade, coordenador de área do IBGE em Santo Antônio de Jesus, alguns moradores estão ausentes dos domicílios por algum motivo que seja trabalho, estudo ou outro compromisso. Esse tipo de dificuldade, em sua grande maioria, tem levado os trabalhadores a desistir.

Em setembro um novo concurso para contratar mais de 8.000 recenseadores e agentes censitários para trabalhar no Censo 2022. Isso acontece bem no meio dos trabalhos do Censo, que começaram em agosto. Em quase dois meses de entrevistas, menos de 30% dos setores que compõem a pesquisa foram concluídos, segundo o IBGE. A previsão era concluir o trabalho até o final de outubro, mas o IBGE anunciou o adiamento até dezembro.

20 dias após o início das pesquisas, o IBGE divulgou que já havia feito 6.550 rescisões de contratos de trabalhadores temporários. Embora as demissões representem 3,7% dos recenseadores contratados (incluindo quem está em treinamento, segundo o IBGE), os problemas se acumulam. Os trabalhadores afirmam que sofrem assédio verbal e ameaças durante a pesquisa. No início de setembro, houve greve por atraso nos pagamentos e pedido de melhores condições de trabalho.

Os recenseadores relatam que passam por situações complicadas, como assaltos, ameaças, assédio sexual e racismo. Os trabalhadores também reclamam de atraso nos pagamentos. Plínio Arraes, um dos fundadores da União dos Recenseadores, em Salvador (BA), afirma que as pessoas não têm dinheiro nem para trabalhar. “É uma degradação do serviço público”, afirma. Para Lucas Ferreira, outro líder do União dos Recenseadores, contratar mais pessoas para passar pelos mesmos problemas não é a solução. Ele diz que não tem como terminar o Censo na data prevista nessas condições.

A resistência de da população em responder e que é desgastante voltar para a mesma casa várias vezes até conseguir uma entrevista. O pagamento dos trabalhadores está condicionado a metas de pesquisas feitas —eles só podem ter 5% de recusas.

A recenseadora Tatiane Oliveira Sousa já fez o Censo 2010 e voltou a fazer parte da coleta como uma forma de garantir uma renda extra para a família, que vai aumentar, pois ela está grávida. Ela conta nas redes sociais os perrengues da rotina, como sobrecarga de trabalho, endereços que que não existem, e a recusa dos moradores em responder ao questionário. “Sou uma mãe de família que viu no Censo uma oportunidade de aumentar a renda, mas a gente enfrenta muitas questões. Só queremos trabalhar com dignidade”, fala.

Os recenseadores reclamam de demora de pagamento nos setores já concluídos, atrasos nos repasses do auxílio-deslocamento e na remuneração referente ao período de treinamento. Além disso, alegam falta de transparência e informação. Entre os pedidos, estão:

  • correção dos valores por produção e pesquisa (segundo os recenseadores, os valores são de 2020 e precisam ser corrigidos pela inflação);
  • aumento de 50% para 80% no pagamento adiantado por setor;
  • aumento da taxa máxima de 5% para 20% de recusas em responder ao questionário;
  • mudança na calculadora do IBGE para inserir taxas reais e dar transparência de quanto irão receber;
  • pagamento antecipado do transporte;
  • canal de atendimento para o recenseador;
  • comunicação extrajudicial para quem se recusar a responder ao Censo;
  • pagamentos de todos os débitos atrasados do IBGE.

O IBGE definiu as dificuldades como rotineiras nos censos e nas pesquisas amostrais, assim como nas pesquisas domiciliares de outras instituições, e afirmou que a tendência é que “sejam vencidas” até o final do Censo. “Tanto a rotatividade quanto esses episódios de roubos e furtos são pontuais, num universo de mais de 180 mil servidores temporários”, disse o instituto, em nota.

No momento, 153.878 recenseadores estão contratados, enquanto 20.819 estão em treinamento, totalizando 174.697. O instituto afirma que, desde o início do Censo 2022, foram feitos cinco processos seletivos suplementares. O mais recente oferece 7.795 vagas para recenseadores e 436 para agentes censitários.

Questionado sobre os trabalhadores, o IBGE responde que mais de 90% dos problemas de pagamento se deram ainda nas primeiras semanas, por erros de cadastro, muitas vezes cometidos pelos próprios recenseadores. Além disso, o congestionamento nos sistemas de algumas unidades estaduais contribuiu para o atraso, diz o órgão. A autarquia diz que ambos os casos foram solucionados e chama atenção para o fato que os recenseadores recebem por produção, após entregarem seu setor censitário concluído e com a aprovação de seus supervisores.  blogdovalente

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