A situação veio à tona quando a professora Tatiana Cristina de Almeida Borges, de 44 anos, encontrou o homem após ele ter sido deixado na porta do Hospital Municipal Pedro II pelos próprios maqueiros da unidade. Segundo relatos, os maqueiros informaram que iriam deixá-lo em um local mais distante para evitar problemas para eles.
“Nós o encontramos um pouco mais longe da porta do hospital. Os lojistas que estavam lá contaram que os maqueiros falaram que iam deixar em um lugar mais distante para não dar problema para eles. Acontece que a gente que levou ele para a porta.
Ele estava de fralda, de sonda, sem condições de resolver nada. Deixaram ele ali podendo pegar uma infecção generalizada, sem amparo”, declarou a professora.
O paciente não identificado relatou que foi abandonado na rua depois que a assistente social do hospital disse que “não poderia fazer mais nada por ele”. A professora afirma que ele preferiu não passar informações de contato de familiares.
“Eu fiquei indignada com aquilo tudo, então procurei a coordenação do hospital. Eles me falaram que ele não queria ligar para a família e foi uma escolha dele ir embora”, contou.
“Porém, o homem me contou que a assistente social disse que não poderia fazer mais nada por ele e que ele estava ocupando o leito de uma pessoa que precisava. Sendo assim, ele só falou que poderiam tirá-lo dali. Acontece que ele claramente não poderia ser deixado daquele jeito no meio da rua, jogaram feito um lixo”, prosseguiu.
O homem afirmou que a assistente social disse que não poderia ajudá-lo mais e que ele estava ocupando o leito de alguém que realmente precisava. Ele simplesmente afirmou que poderiam retirá-lo do hospital. No entanto, era evidente que ele não poderia ser abandonado na rua daquela maneira, como se fosse lixo.
De acordo com a coordenação do hospital, o paciente era conhecido da unidade de saúde e supostamente apresentava um “quadro de rebeldia”. Alega-se que ele foi abandonado após deixar um abrigo em Búzios. Além de Tatiana, outras pessoas que passaram pelo local se sensibilizaram com a situação e prestaram auxílio ao homem.
“Ele estava em um abrigo em Búzios, sendo cuidado por um pastor, que depois não estava mais conseguindo arcar com os custos e o largou no hospital.
Ele não recebe dinheiro nenhum, nada do governo. O próprio hospital acionou o Ministério Público, fizeram esse papel certinho, mas erraram ao deixá-lo nessas condições. Duas pessoas viram aquela cena e começaram a chorar, compraram comida para ajudar”, explica a professora.
O Hospital Municipal Pedro II informou que “tentava articulação com uma instituição de acolhimento para recebê-lo, quando outros funcionários atenderam ao pedido do usuário para ser levado para fora, pois ele se negava a permanecer no hospital, informando que teria alguém para buscá-lo”.
Veja o comunicado na íntegra:
A direção do Hospital Municipal Pedro II informa que o homem foi deixado no hospital por um abrigo de Búzios, sem qualquer indicação de atendimento médico no momento.
O Serviço Social tentava articulação com uma instituição de acolhimento para recebê-lo, quando outros funcionários atenderam ao pedido do usuário para ser levado para fora, pois ele se negava a permanecer no hospital, informando que teria alguém para buscá-lo.
Ao ser observado que não havia ninguém para buscá-lo, mesmo contra a vontade do usuário, a unidade o mantém sob guarda, até que o Serviço Social consiga encaminhá-lo para uma instituição de acolhimento, uma vez que não tem familiares próximos para recebê-lo.

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