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SAJ: Rosa Rocha é eleita presidente do Instituto 11 de Dezembro: “para mim isso significa algo muito importante”


O Instituto 11 de Dezembro (antigo Movimento 11 de Dezembro) em Santo Antônio de Jesus conta agora com uma nova mesa diretora. A decisão foi tomada em uma Assembleia no início da noite de quarta-feira (05).

Rosa Rocha passa a ser presidente do Movimento e Ana Maria Balbina vice. Mais de 100 familiares de vítimas e vítimas compareceram à Assembleia. Nossa equipe conversou com a agora presidente, Rosa, que externou sua satisfação em compor esta mesa.

“Para mim isso significa algo muito importante, mas ao mesmo tempo não chega a pegar de surpresa porque a gente já vinha fazendo um trabalho há muito tempo. Desenvolvendo este trabalho junto ao movimento (…) Só agradecer pela confiança, pelo carinho. Eu fico emocionada porque minha mãe foi a primeira presidente do Movimento 11 de Dezembro”, disse.

Rosa perdeu duas irmãs na tragédia e vem lutando desde então por justiça. Ela já recebeu homenagens algumas vezes, inclusive pelo movimento Mude, encabeçado por artistas da Rede Globo e pela justiça Global, quando reconheceu um prêmio reconhecendo seu trabalho.

 “O que nós esperamos é junto a esta sentença de implementações dar continuidade e fazer um trabalho fortalecer ainda mais o Instituto 11 de Dezembro. Dar uma nova roupagem, uma nova cara ao movimento (..) O que espero dessa nova diretoria é que continue com essa força, essa determinação, esta resistência para enfrentar tantos desafios que vem pela frente”, afirmou Rosa.

O estatuto do Movimento que datava de 1999 também foi atualizado. Um dos novos pontos do Estatuto versa que todo recurso destinado ao movimento passará pela mesa diretora. “A nossa mesa diretora estará bastante atenta em relação a isso. Qualquer recurso que vier para Santo Antônio em nome do Movimento”.

Segundo Rosa, a sentença que foi proferida no dia 15 de julho de 2020, há quase dois anos, está com os prazos de cumprimento das implementações prestes a vencer, mas até o momento não há uma implementação totalmente concluída. “Essa luta é nossa, nunca deixou de ser, a diferença é que agora todos nós estamos imbuídos na busca de cada implementação”.

Relembre o caso

Santo Antônio de Jesus é conhecido pela produção ilegal de fogos de artifício. A situação de pobreza do município obrigava a população a se submeter ao trabalho extremamente perigoso em fábricas de fogos, inclusive crianças. Além do risco, os trabalhadores recebiam salários ínfimos. Contam que eram pagos R$ 0,50 pela produção de mil traques (pequenos pedaços de pólvora embrulhados em papel).

No dia 11 de dezembro de 1998, uma das fábricas, que funcionava na Fazenda Joeirana, na zona rural, explodiu causando a morte de 64 pessoas; outras seis tiveram ferimentos graves – queimaduras de 3º grau em 70% do corpo-, mas sobreviveram. Na época, como o número de ambulâncias na cidade eram insuficientes e o município não possuía um centro para atendimento de pessoas com queimaduras, os moradores assumiram o resgate e o transporte das vítimas até a capital, Salvador, a 190 km de distância.

A fábrica de propriedade de Osvaldo Prazeres Bastos, estava registrada em nome de seu filho, Mário Fróes Prazeres Bastos. Apesar de possuir registro junto ao Exército, ela operava há anos fora dos padrões exigidos pelas normativas internas. Após a tragédia, os atingidos se organizaram em torno do Movimento 11 de Dezembro para lutar por justiça.

As investigações revelaram uma série de irregularidades cometidas pelos donos da fábrica. Segundo o Ministério Público, os donos tinham ciência que a fábrica “era perigosa e poderia explodir a qualquer momento e provocar uma tragédia”. A perícia da Polícia Civil constatou que a explosão foi causada pela “falta de segurança vigente no local, não somente em relação ao armazenamento dos propulsores e acessórios explosivos”.

A explosão da Fábrica de Fogos de Santo Antônio de Jesus resultou em quatro processos judiciais, nas áreas cível, criminal, trabalhista e administrativa, contudo, segue pendente a responsabilização trabalhista, criminal e cível pelos danos causados às trabalhadoras e seus familiares.   blogdovalente





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