A Polícia Civil divulgou ontem a prisão de dois suspeitos de participar da morte do professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Marcus Vinicius de Oliveira Silva, 57 anos, conhecido como professor Matraga. O crime foi em fevereiro deste ano, no povoado de Pirajuía, em Jaguaripe, na região do Recôncavo baiano.
Segundo a investigação, os dois presos, que não tiveram os nomes divulgados, são os mentores intelectuais do assassinato e um deles ainda participou da execução do professor, que foi morto com um tiro na cabeça. Vinte e uma pessoas foram ouvidas no inquérito, e a polícia investiga a participação de mais suspeitos no crime, mas nenhum detalhe, como nomes ou quantidade, foi divulgado.
O diretor do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Ricardo Esteves, disse que um dos presos é herdeiro de terras na mesma região onde a vítima tinha uma propriedade. “O acusado tentou comprar as terras do professor, mas ele se recusou a vendê-las”, informou o delegado. Ainda segundo ele, com a recusa da vítima, ela passou a ser ameaçada.
No dia do crime - 4 de fevereiro -, segundo informações que foram divulgadas pela Delegacia de Jaguaripe, dois homens foram até a casa do professor, por volta das 19h, e disseram que uma amiga dele passava mal. Um dos suspeitos se identificou como neto da mulher. Ao sair de casa para prestar socorro à amiga, o professor foi rendido e levado de carro até uma estrada de terra do povoado. Lá, ele foi executado com um tiro na cabeça. A polícia ainda busca o carro utilizado pelos criminosos. Foi apreendido um revólver calibre 38 na casa de um dos presos - um deles está detido desde setembro, e o outro foi preso na semana passada.
A polícia aguarda conclusão de laudos periciais e realização de diligências para concluir o inquérito. Um desses laudos é para confirmar se a arma apreendida foi efetivamente usada no crime.
De acordo com o delegado Esteves, um dos presos tentou se livrar do revólver, jogando-o em um terreno baldio, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A polícia não informou onde os suspeitos foram presos. Eles tiveram as prisões decretadas pela Justiça de Nazaré. Um deles, de acordo com o delegado, já tinha mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas.
Professor aposentado do curso de Psicologia da Ufba, Marcus Matraga foi um importante militante da luta antimanicomial no país. Nos últimos anos, ele mediava conflitos de terra entre indígenas e fazendeiros. “Ele era uma pessoa muito voltada para os interesses da comunidade, e isso poderia estar incomodando alguém de lá”, disse o vice-reitor da Ufba, Paulo Miguez. “Eu espero que efetivamente a polícia tenha chegado a uma elucidação do caso. Foi um crime bárbaro contra um homem da paz”, afirmou.(Correio)

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