Castelo de areia
A Paraná Pesquisa desta semana desmontou o castelo de areia montado pelo governo sobre a artificial aprovação de Jerônimo em Salvador. A cúpula governista chegou a improvisar uma margem de 70% para o petista, mas o levantamento oficial desta semana mostrou que Jerônimo figura entre os três piores governadores das dez maiores capitais brasileiras. Semanas atrás, o mesmo instituto apontou o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), com aprovação de quase 70% dos soteropolitanos, o que elevou a inquietude dos seus adversários.
São João seletivo
Já soma R$ 23 milhões o balanço parcial dos gastos do governo do Estado com festas do período junino. O valor está dividido em custos com decoração (R$ 500 mil), contratação de atrações musicais (R$ 5,5 milhões) e convênios com prefeituras (R$ 17,3 milhões), onde mora a maior parte das reclamações quanto ao critério (ou ausência dele) na distribuição dos valores.
Santo Antônio de Jesus, por exemplo, recebeu apenas R$ 50 mil de apoio estadual, apesar de ser uma das cidades mais procuradas por baianos e turistas nessa época do ano, enquanto municípios menores e sem a mesma relevância tiveram aporte até três vezes maior - como é o caso de Varzedo e Laje, que receberam R$ 100 mil e R$ 120 mil, respectivamente.
Forró da perseguição
A principal diferença, na maioria dos casos, está na cor da bandeira partidária do gestor ou de quem ele é aliado. No caso de SAJ, além de ser filiado ao PSDB, o prefeito Genival Deolino é parceiro político do deputado Alan Sanches (União Brasil), líder da bancada de oposição ao governador Jerônimo, o que fez suscitar a hipótese de perseguição política.
“A gente não entende o critério que está sendo utilizado para dar esse apoio muito pequeno, pífio para Santo Antônio de Jesus. Eu quero crer que não seja perseguição ao nosso município, à nossa cidade de Santo Antônio”, protestou Alan, ao pedir reavaliação do investimento.
Gastança
E por falar em gastos com festas no São João, um caso curioso vem do município de Itagibá, no Médio Rio de Contas. A cidade, que tem menos de 15 mil habitantes, terá artistas pomposos na sua grade de atrações para os festejos juninos, como João Gomes, Tayrone e Thiago Aquino.
Para bancar a festança, o município vai desembolsar a bagatela de R$ 1,8 milhão, valor similar ao que a prefeitura local recebe por mês de transferência federal do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O prefeito Marquinhos Barreto (PCdoB) tem feito bastante alarde com o evento na cidade, que tem um IDH considerado baixo.
Joga y joga
Nos bastidores da política baiana, há quem diga que o advogado de Lula, Cristiano Zanin, indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF), tem se articulado melhor com o Congresso Nacional do que o governo federal. Mostrando habilidade e capacidade de diálogo, Zanin tem se encontrado com diversos caciques partidários para consolidar sua indicação, que será apreciada pelo Senado. Já teve gente sugerindo que Zanin desempenharia muito melhor a função de ministro da Casa Civil.
Acabou o love
O presidente da Assembleia, Adolfo Menezes (PSD), reclamou essa semana durante uma sessão: “Está aqui para votar o pessoal da oposição, o pessoal do governo é que não está na Casa ou não está no plenário. Só a oposição ajudando, viu, Rosemberg (Pinto, líder do governo)”. A principal queixa é quanto aos cargos em estruturas no interior do estado e no terceiro escalão do governo. Rosemberg ficou visivelmente enfraquecido no plenário e ainda teve de ouvir Adolfo expor nos microfones que a sessão só foi adiante graças aos oposicionistas
Guerra fria
Nas entrelinhas da declaração de Adolfo está também a articulação do presidente do Legislativo para minguar o sonho de Rosemberg de comandar a Assembleia Legislativa no biênio 2025-2026. Embora hoje a reeleição do atual presidente seja vedada pela legislação, não é novidade para ninguém que Adolfo deseja seguir no cargo e já trabalha para minar os possíveis adversários.
Quem fala o que quer...
Como diz o ditado, quem fala o que quer ouve o que não quer. Em uma de suas raras aparições na tribuna da Alba, o deputado estadual Eduardo Alencar (PSD) foi questionar uma operação de crédito de Simões Filho, município do qual foi prefeito, e tomou uma invertida da deputada Kátia Oliveira (União Brasil), esposa do atual prefeito, Dinha Tolentino. Precisou ela lembrar a Eduardo, que é irmão do senador Otto Alencar (PSD), que ele deixou o município com 92% de endividamento em relação à receita e com o "nome sujo", sem poder celebrar convênios e contrair empréstimos. Hoje, Simões Filho tem classificação B na capacidade de pagamento - considerada boa - e endividamento abaixo de 50%.
Base desunida I
A base governista tem batido cabeça no Extremo Sul. Enquanto, na teoria, os caciques petistas pregam candidaturas únicas do grupo nas maiores cidades, na prática a situação tem sido bem diferente.
Em Teixeira de Freitas, por exemplo, o MDB já avisou que vai lançar o ex-deputado Uldirico Filho, enquanto o PT não abre mão da advogada Raíssa Félix, esposa do ex-prefeito João Bosco - que só não vai disputar porque está inelegível. A divisão da base governista pode ajudar o atual prefeito Marcelo Belitardo (União Brasil).
Base desunida II
Em Eunápolis a situação é similar. Por lá, a prefeita Cordélia Torres (União Brasil) deve ter como adversário o ex-prefeito Robério Oliveira (PSD), mas o atual prefeito de Santa Cruz Cabrália, Agnelo Santos, que se filiou recentemente ao Avante e é o favorito do presidente do partido, Ronaldo Carletto, também está de olho na disputa.
Fake pra todo lado
Na sessão da última quarta, na Assembleia Legislativa, o deputado Emerson Penalva (PDT) precisou desmentir as informações colocadas de maneira distorcida pelo petista Robinson Almeida sobre o reajuste salarial concedido aos professores da rede municipal.
O pedetista esclareceu que, enquanto o governo estadual deu apenas 4% aos professores que têm subsídio, o prefeito Bruno Reis aplicou reajuste linear de 8% para toda a categoria.
Vale lembrar que, mesmo com o reajuste concedido pelo governador Jerônimo Rodrigues, os professores da rede estadual passaram todo este primeiro semestre com salário-base abaixo do que estabelece o Piso Nacional do Magistério.
Segue como gincana
E a resenha mais recente entre os deputados, incluindo governistas, é que o Bahia sem Fome já tem corrida e jingle, só não tem mesmo Projeto de Lei.
Ao som da zabumba
O conselho de administração da Embasa convocou uma Assembleia Geral às vésperas do São João, na próxima quinta-feira (22), para chancelar a emissão de R$ 300 milhões em debêntures da companhia.
Na prática, a modalidade funciona como uma aquisição de empréstimo indireto, em que os títulos da empresa são colocados à venda no mercado de capitais. Por ora, as debêntures não serão conversíveis em ações, mas na avaliação de políticos e interlocutores da empresa, o movimento soa como um ensaio para a tentativa de privatização.
Vale lembrar que já existe uma lei estadual sancionada pelo então governador Rui Costa que abriu o caminho para o processo de privatização - o que contraria as manifestações históricas do PT contrárias a essa direção. Agora, a boiada vai passar ao som da zabumba. Correio
0 Comentários